Night walk

“It’s a ghost town”
People like to say it loud
Well, for a moment before dawn
I really see no one around

“It’s a ghost town”
Oh but that I've already known
For many times before the dawn
I was the only ghost around

Yet early in the evening
I parked my car around the corner
From the house where I once lived in
But was not sure should I come over

Took a deep, though silent breath
When once I'd have lit a cigarette
Made my way across the street
Trying to make some sense of it

Nasty thoughts about the future
Fight this all time homesick urge
And like a sunstroke robot figure
I kept moving back and forth, and farther

Like those things you can't explain
But that help the world make sense
I've come to find myself again
Outside my childhood school fence

Happy sad I felt this time
Happy sad had I felt then
If you came your way up here
Stay with me until the end

Somewhere around here long ago
I left a child behind in fear
To move onwards, I let him go
I dropped his hand but I got lost too

Sometimes I think I still can hear
His hushed cry inside my ears
Now, as I feel he wandering near
My eyes finally shed his tears

Repatriação de recursos ilícitos

A “repatriação” de recursos sob a égide da Lei n° 13.254/2016, permitiu a regularização de cerca de 160 bilhões de reais havidos por brasileiros no exterior, gerando uma arrecadação de 48 bilhões de reais (15% de IR e 15% de multa).

Houve restrições quanto a ser utilizada por deputados e senadores que exerciam mandato, outros detentores de cargos na Administração Pública em quaisquer dos três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), seus cônjuges e parentes.

Além disso, a origem dos recursos deveria ser lícita e eles poderiam permanecer no exterior, motivo das aspas no início do texto.

Se abandonássemos todo e qualquer pudor, anistiando todo e qualquer crime existente na origem da obtenção do recurso, aumentando além disso as alíquotas do imposto e da multa e obrigando o efetivo retorno do recurso à economia nacional, poderíamos financiar a reconstrução nacional.

Parece absurdo? Em toda a história da humanidade, praticamente toda acumulação primitiva de capital que permitiu ou impulsionou uma grande mudança ou revolução, comporta um pecado original…


É uma ideia polêmica, envolve conceitos arraigados, cláusulas pétreas do senso comum do cidadão de bem.

Até o mais bem informado pensador não teria dificuldade em afirmar que a ideia fere princípios intangíveis e inegociáveis de ordem filosófica, ética, moral e religiosa sobre os quais se assenta nossa civilização.

Ocorre-me que para validar a ideia, não basta defendê-la de um ponto de vista pragmático.

É necessário argumentar contra o senso comum e contra as mais caras noções de nossa elevada existência enquanto sociedade.

É o que me proponho a fazer.


Continua…

Dúvidas

Acho que a maioria das pessoas se engana ao pensar que a vida é feita de decisões, quando na verdade é justamente o contrário.

Passamos muito mais tempo sentados em nossas dúvidas antes de tomar alguma decisão do que em pé anunciando-as. Longo é o tempo também, deitado inquieto a pensar o que poderia ter sido diferente.

Logo a vida é feita de dúvidas e não de decisões, que por vezes nem acontecem. Muitas vezes passamos direto da incerteza de como agir para o arrependimento de nada ter feito.

Por isso, talvez, aquela época tenha sido tão especial. Por algum tempo não havia dúvida pairando, as que trazia comigo deixaram de fazer sentido e por alguma combinação de fatores de probabilidade desprezível, não foram imediatamente substituídas por outras.

É preciso entender que a ausência de dúvida não é sinônimo de certeza. Esclarecida, uma dúvida não é substituída por uma certeza. Uma outra dúvida rapidamente se abanca no lugar vago sem pedir licença, como numa dança de cadeiras. A certeza, em pé, polida e estupefata.

Naqueles dias, não havia dúvidas, tampouco certeza alguma. Ambas as categorias estavam totalmente ausentes, como se não fizesse sentido essa ou qualquer dicotomia: o mundo não se dividia em temor e esperanças, dor e prazer, angústia e alívio…

Havia apenas duas possibilidades, ser ou não ser.

E fomos.

Basta de polarização

Quais as lições aprendidas com os eventos que precederam a tomada de poder pelos militares em 1964 e o período em que poder foi exercido com restrições à participação política da população?

Que devemos identificar e nos armar contra nossos inimigos internos na política nacional?

Que devemos entender a situação social, política, econômica atual como repetição ad aeternum do conflito ideológico histórico entre a esquerda comunista e a direita capitalista?

Que em momentos em que as instituições basilares do Estado de Direito parecem falhar, ou falham, podemos recorrer às Forças Armadas para executar suas funções?

Adianto que não comungo nenhuma dessas opções e pretendo em breve explorar os temas.

Por ora, ressalto que, naquele momento, cada um dos campos ideológicos mais representativos julgava-se detentor de toda a verdade sobre o que era melhor para a Nação, restando no outro lado apenas ideias consideradas contrárias ao interesse nacional.

Como não reconhecia no outro lado práticas ou ideias válidas, tampouco considerava a possibilidade de diálogo. Via, portanto, seus opositores como inimigos a serem perseguidos, torturados, exterminados, sequestrados, fuzilados, exilados…

É isso que acontece em momentos em que a via democrática é perdida de vista, em que a polarização das ideias as torna incomunicáveis, inconciliáveis

Faço um apelo pelo fim da produção e compartilhamento de mensagens cujo conteúdo estimule essa polarização.

A situação do Brasil é complexa. Nosso País comporta diversidades de toda ordem, não o entenderemos a partir de visões particulares, parciais, partidaristas, sectaristas, autoritárias, antidemocráticas.

Devemos, em cada assunto ou tema que se coloque, procurar pontos de convergência, estabelecer uma agenda mínima comum, ouvir e entender o lado oposto, buscar conciliação de interesses e alinhamento de ações.

Temos todo um arsenal democrático à nossa disposição: liberdade de imprensa, liberdade de expressão, liberdade de associação, pluripartidarismo, sufrágio universal etc etc etc…

Infelizmente, em nossas mãos, este poderoso armamento tem sido utilizado como metralhadoras giratórias nas mãos de chimpanzés.

Guia das Falácias

Demonstrar a fragilidade de um argumento é bem mais simples do que parece. Sobretudo, é muito mais fácil e proveitoso do que investigar e tentar provar as intenções da pessoa ou grupo de pessoas que o elabora, sustenta, defende ou dissemina.

O que torna um argumento frágil? O principal mal de que padece uma argumentação é a presença de falácias em seu interior. Essas falácias assumem diversas formas e se inserem nos argumentos como um vírus, contra o qual a maior parte da população não tem imunidade.

Ao contrário da pandemia, para combater a pandemídia devemos não usar máscaras e não podemos simplesmente lavar nossas mãos.

O Guia das Falácias, de Stephen Downes, com tradução e adaptação de Júlio Sameiro pode não ser a panaceia, mas não tem contra-indicações nem efeito colaterais nocivos. Pode ser usado sem parcimônia para detectar e evitar a propagação destas pragas!

https://criticanarede.com/falacias.html

Reencontro

Não é apropriado falar em reencontro, quando no máximo se encontraram nossos olhares e sequer tenho certeza se ela me reconheceu.

O fato de usarmos máscaras cobrindo a parte de baixo do rosto e o fato de que não tenho mais a vasta quantidade de fios de cabelo no topo de minha consciência me tiram a certeza de ter sido reconhecido.

Quanto a ela, a falta da tinta no cabelo, que usava para puxar o tom para um loiro acinzentado, parece plenamente compensado pela presença dos fios grisalhos.

Sei que era ela e, embora surpreendido, reagi com a mesma expressão de admiração que antes a fizera apaixonar-se por mim… Sim, assim que ficamos suficientemente íntimos, ela me contou que o modo como a fitava nos olhos, pelo tempo exato de fazer-me notado, antes de abaixar o olhar, soava como se eu lhe pedisse desculpas por ter feito um elogio impróprio.

Via-me por respeitoso e elegante, cansada de olhares que se prolongavam inconvenientemente, dos quais procurava desvencilhar-se antes que se fizessem seguir de comentários grosseiros, ainda que pensados como elogios.

A boca entreaberta, no entanto, que completava e tornava indisfarçável o encanto que me causava, ela não pode ver. Assim como não pude eu mais do que adivinhar um sorriso, que tenho certeza aconteceu, ainda que não me tenha reconhecido.

Foi esse sorriso pronto, engatilhado e disparado em todas as direções que me fez vítima pela primeira vez de uma paixão.

A primeira vez que o apontou contra mim, com precisão de atirador de elite, eu já havia sido alvejado tantas vezes pelos ricochetes das rajadas que ela disparava aleatoriamente que, sozinho, empalideceria qualquer estatística de vítimas inocentes.

De fato, vê-la sorrir para outra pessoa qualquer era suficiente para amá-la, mas quando a vi caminhando na direção em que me encontrava parado, penso que temi por minha vida.

A distância, uns cinco metros, foi percorrida num tempo superior aos menos de dois segundos que durava meu elogio mudo, e não fazia sentido desviar o olhar antes de cumprimentá-la.

Percebendo talvez meu desespero, caprichou na pontaria, no sorriso e no andar. Fez fogo assim que travou a mira e continuou, atirando covardemente, deliciando-se com meus estertores, até parar e dar o tiro de misericórdia, no meio da minha cara: – Quer uma carona?

Mas não foi isso que me veio à lembrança ao revê-la. Nos dois segundos que nos entreolhamos, uma eternidade me inundou. Não a eternidade dos poucos anos que passamos juntos, tampouco a eternidade das décadas que se seguiram e fizeram dobrar o século.

A eternidade de uma dúvida.

continua….

Eu sonho com ovelhas elétricas

Tempo corrigido, paixões acomodadas
O outono passado nunca teve fim
Os rangidos e as cores da sirene se fundem
A cena do crime perfeito foi inventada

Antes nos conhecíamos, agora apenas combinamos
Há séculos não eclode um ovo

A música não preenche mais pautas
A música não enche mais capas
Ninguém parece dar a mínima
A que merda lhe entra pelos ouvidos

Ruas sombrias, batidas ensurdecedoras e encardidas*
Façanhas obstinadas da vida cotidiana
A chuva não desaba, mas também não cessa
Cada gota é uma faísca que cai

Nada dura o suficiente para mudar
O passado estará fora de alcance em breve

  • beat – batida de música eletrônica
  • grime – sujeira impregnada à superficie, mas também um gênero de música eletrônica

i dream of electric sheep

Time amended, passions bended
Last Autumn never ended
Siren's squeaks and colors blend
The perfect crime scene was invented

Once we meet, now we just match
Eggs for centuries haven't hatched

Music no longer fill sheets
Music no longer fill sheaths
No one seems to give a shit
What shit comes up to their ears

Gloomy streets, grime deafening beats
Everyday life's gritty feats
Rain won't pour, but won't stop either
Every drop is falling glitter

Nothing lasts enough to change
Past will soon be out of range

Breaking news


You can’t figure what I wish
Pay no heed to what I think
Hardly hear me when I speak
Make no sense from what you hear


“Nothing happens through your days?
Anything you’d care to mention?
In this whole world going crazy
Something must draw your attention”


There are many things indeed
But I’m lost in my distractions
What I lack, what I’m in need
Is a pause for my reflections


All I expect and ask of you
Please, believe in dreams come true
I would offer you my view
Just before the break of news

Pensar é fácil, difícil é fazer-se entender!