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Titanium

Se você grita, eu não consigo escutar
Se algo te irrita, melhor falar
Você critica, mas tudo volta para você Você atira no que não vê
Balas perdidas, frases soltas Não vão me atingir E o ricochete sempre volta
Melhor se proteger
Não sou de aço ou de titânio Sou forjada na dor
Não sou de aço ou de titânio Sou forjada na dor Você me cobra Você é que tem o que explicar Ou então É melhor calar Subir o tom Xingar, bater, ameaçar Não vai dar bom Melhor parar Balas perdidas, frases soltas Não vão me atingir E o ricochete sempre volta Melhor se proteger Não sou de aço ou de titânio Sou forjada na dor Não sou de aço ou de titânio Sou forjada na dor Estou com a impressão Que agora é chegado o fim Vou começar A cuidar de mim Não sou de aço ou de titânio Sou forjada na dor Não sou de aço ou de titânio Sou forjada na dor
E o ricochete sempre volta
Melhor se proteger
Não sou de aço ou de titânio Sou forjada na dor

Versão para a canção de David Guetta e Sia

Para onde vai este blog

Sinto-me na obrigação com meus poucos leitores de esclarecer a trajetória deste blog até o momento e as perspectivas que se apresentam.

Senti necessidade de ter um espaço mais apropriado para expor algumas ideias que me surgiam ao tomar contato via WhatsApp com o que pensavam outras pessoas. Incomodava-me ver tantas mensagens apócrifas, mal redigidas, descomprometidas com a lógica argumentativa, estrategicamente jocosas, reconhecida ou inadvertidamente distanciadas da realidade dos fatos conhecidos e notórios, consciente ou inconscientemente falaciosas.

Desde o início, deixei claro que fatos, especialmente os controversos fatos da política nacional, não seriam objeto ou matéria-prima por aqui.

Já as ideias que me interessam foram se desdobrando, relacionando ou agrupando naturalmente. Tentei organizá-las abrindo uma página específica para aquelas que identifiquei como principais, irredutíveis.

A preocupação inicial com a validade das informações, ou melhor afirmações que circulam nas redes sociais me fez refletir sobre o conceito de verdade e realidade e as possibilidades do conhecimento.

A dupla natureza da verdade, seja como conformidade entre realidade e discurso seja como consenso ou convenção socialmente atingidos, ganha novos significados sobre o pano de fundo das novas tecnologias digitais, que proporcionam uma velocidade de produção e compartilhamento de informação além da capacidade humana de verificar sua procedência ou questionar sua validade. Fontes secundárias passam então a preponderar, legitimando-se não na observação própria ou aferida por uma comunidade científica, mas sim por adesão guiada por critérios subjetivos inverificáveis.

Nessa esteira também surge a ideia de democracia digital, com todas as ameaças distópicas, desde a recriação da realidade por algoritmos até o fim da história pela supressão do conhecimento factual e sua substituição pela coleta em tempo real de meras opiniões, passando pelo estágio já em curso de desconstrução e manipulação de fatos, originariamente nas esferas política e ideológica, passando em breve para a implosão do próprio sistema racional em que se funda o método científico que nos proporcionou o avanço tecnológico que nos trouxe à era digital em primeiro lugar…

O fato de que o conhecimento tenha atingido tal nível somente na espécie humana lança luz sobre o evolucionismo e necessidade de refletir sobre seu impacto em todos os campos, em como é difícil substituir um paradigma, no caso o criacionismo, em todos os seus efeitos, e mais ainda, suprimir seu pressuposto de um ser criador.

Pensar a evolução da espécie humana pode ser feito analisando a maneira como usamos os recursos que encontramos na natureza e que passamos a transformar. É o despertar da cultura, que na ótica criacionista nos foi dada pronta com o rótulo de natureza humana. Na verdade, até aqui, por milhões de anos compartilhamos a mesma natureza evolutiva que outros primatas, como comprova o sequenciamento genético.

O uso cada vez mais sofisticado dos recursos é propiciado pela tecnologia, desenvolvida por sua vez a partir dos conhecimentos adquiridos, aperfeiçoados e acumulados ao longo de gerações devido ao que se tornou o método científico, que herda da tradição filosófica a dúvida sistemática, que favorece a constante busca de conhecimento, ao invés da estagnação determinada pela imposição e aceitação de dogmas.

Pensar a evolução como a formação biológica simultânea de órgãos sensoriais e processadores das informações captadas, numa escala de milhões de anos, reconcilia empirismo e apriorismo como formas de aquisição de conhecimento indissociáveis.

Pensar que juntamente com a evolução biológica, evoluíram a cognição, a linguagem e as relações sociais, por sua vez, esclarece como a moral é fruto da evolução e não de qualquer outra coisa. Bem e Mal nada mais são do que percepções das manifestações dos instintos individuais e coletivos existentes em qualquer ser vivo em busca de sobrevivência individual e enquanto espécie.

Essas e outras dualidades, oposições dialéticas certamente devem ser repensadas, sintetizadas ou reduzidas a um denominador comum, seja na explicação dos fenômenos observados na física de partículas, seja na aparente contradição entre o instinto, por falta de termo melhor, de preservação individual e o mecanismo, termo deliberadamente inapropriado, de cooperação para sobrevivência de espécie.

A compreensão desses dois vetores indissociáveis da evolução, mormente a aceitação do princípio da busca pela sobrevivência individual, sem a valoração negativa que lhes dão as fadigas religiosas e as teses comunistas, explica a um só tempo a hipocrisia em que caem as religiões cristãs e a falência das experiências do socialismo real.

A maneira como esses grandes temas e ideias estruturantes por trás deles se entrelaçam me fez pensar em uma explicação fractal para personalidade. Cada ato ou pensamento de uma pessoa traria embutida todos os elementos que a constituem.

Espero organizar os assuntos, aprofundar os temas, preencher as lacunas abertas pela especulação desenfreada.

E continuar especulando…

EM TEMPO

Ainda não abordei um tema essencial que é a compreensão do “vetor cooperação” e sua interação com o “vetor individualista”, para entender como ocorre a evolução das espécies e onde sobressaem outras duas ideias poderosíssimas: a teoria dos jogos e o comportamento de bando…

Entenda o que é livre-arbítrio

Livre-arbítrio

Desidério Murcho

Problema 1: Temos realmente livre-arbítrio, ou é só uma ilusão?
Problema 2: Quais são as componentes mais relevantes do livre-arbítrio, e que contributo dão para uma vida humana bem vivida?
Problema 3: O livre-arbítrio é compatível com a tese de que todos os acontecimentos são efeitos de causas anteriores?

Desidério Murcho

O que se visa aqui é aprender a tomar melhores decisões, baseadas em melhores deliberações, em vez de decidirmos as coisas mais ou menos aleatoriamente, segundo os impulsos do momento. Deparamo-nos quase a toda a hora com conflitos de valores — duas ou mais coisas que valorizamos, mas que são incompatíveis — e é sempre tentador fazer o que é mais imediato, mais fácil ou mais atraente. Depois paga-se o preço, porque isso que foi mais fácil há dez anos conduziu a uma vida que agora é pior, ou que resultou em doenças, ou que não conduziu à realização humana que agora lamentamos não ter.

Decisões melhores exigem deliberação melhor, e estes são dois dos três elementos importantes para o florescimento humano. O terceiro é o controlo, ou autodisciplina, que nos permite manter a decisão que tomámos, depois de uma deliberação cuidadosa. De nada adianta deliberar cuidadosamente sobre o que queremos para a nossa vida, se depois não conseguimos exercer o controlo necessário para levar por diante as decisões tomadas. Deliberação, decisão e controlo constituem, pois, uma tríade fundamental para compreender melhor aqueles aspectos do livre-arbítrio que têm um impacto profundo no florescimento humano.
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