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Verdade X Mentira

Não terá passado despercebido, no post anterior, a suposição implícita de que as capacidades de percepção, reflexão e comunicação aperfeiçoam-se em conjunto durante o processo evolutivo, atingindo o patamar mais alto na espécie humana.

Acrescente-se o adensamento e aprofundamento das relações sociais e temos o plano de fundo do surgimento do erro, do engano, do engodo, da mentira, enfim de todos os desencontros entre realidade, discurso e verdade.

Os primeiros exemplos de percepção da realidade por seres vivos eram tão imediatos quanto limitados. As estruturas responsáveis pela captação de dados do mundo exterior limitavam-se então a receptores químicos ou físicos, agindo por contato. As mesmas estruturas reagiriam a esse contato, desencadeando algum processo favorável ou desfavorável, repelindo ou absorvendo partes do mundo exterior, ou seja, da realidade.

Se a membrana de um ser unicelular percebe, quimicamente, a presença de uma substância necessária a algum processo interno, uma parte de sua estrutura reage permitindo sua absorção.

Tudo isso em uma reação imediata, sem reflexão, consciência ou qualquer processo cognitivo.

Toda informação é captada de forma inequívoca, gerando uma resposta unívoca e irrefletida.

A evolução desse conjunto, paradoxalmente, não traz mais certeza, mas sim incertezas ao ser senciente. Isto se explica porque cada vez parcelas maiores e mais distantes da realidade são captadas.

Conforme aumenta também a complexidade do ser vivo, vemos a separação das estruturas sensoriais daquelas que reagirão aos estímulos, bem como o surgimento de uma outra instância ou estrutura entre elas, capaz de processar os dados captados, associando a eles significados não imediatos, quais sejam, obtidos não por contato com a realidade, mas por dedução, abstração, pressuposição, generalização ou outro processo complexo ocorrido no interior do ser senciente, que passa a ser um intermediário entre a realidade e a sua representação, que se dá em forma de pensamento e, logo, de discurso.

Em cada momento desse processo pode haver distanciamento da realidade, e consequente perda do critério de verdade: na captação, no processamento (reflexão, interpretação, representação), na transmissão.

Estes desvios se dão, originalmente, por limitações nos nossos sentidos, na nossa razão, na nossa linguagem…

A repercussão, porém, destes primeiros erros no seio das relações intersubjetivas vai moldar e modular um complexo ambiente em que a verdade assumirá valores não apenas positivo e negativo, verdadeiro e falso, mas todo um gradiente de tonalidades.

Este processo de aprendizado de como lidar socialmente com erros, limitações, enganos, tem papel essencial na definição das formas de construção de relações de confiança, bem como no desenvolvimento das estratégias de sedução, de condução deliberada por caminhos que não correspondem à realidade, de manipulação.

A humanidade aprendeu a mentir em grande parte para esconder seus erros e limitações e logo aprendeu a obter vantagens com esses mecanismos.

Cada um de nós, em seu processo de socialização, de certa forma reproduz esse aprendizado. Ter clareza desse estado de coisas pode ser útil para moldar nossa sociedade mais apegada a conceitos aderentes ao conceito de verdade, como honestidade, responsabilidade coletiva, confiança e boa fé.

Realidade x Verdade

Um significado bem aceito para “verdade” é “a propriedade de estar conforme aos fatos ou à realidade”. Tão íntima é a relação que não poucas vezes confundimos, misturamos ou utilizamos os conceitos como sinônimos.

Talvez, em algum momento, verdade e realidade tenham sido uma coisa só, indistinguíveis. Enquanto os seres vivos desenvolviam os estágios iniciais da senciência, a capacidade de perceber conscientemente o que lhes acontece e ao seu redor, a realidade lhes era imediata. As impressões eram efêmeras, não guardando registros para comparações ou referências posteriores, quanto menos para compartilhar com outros indivíduos. Não havia pensamento ou discurso, portanto, apenas a realidade em si.

Aos poucos a capacidade de reter informação sobre a realidade para uso próprio no futuro, desenvolvida paripassu com capacidade de obtê-la e comunicá-la a seus semelhantes, dá origem ao conceito de verdade.

A informação retida, apesar de muito útil, nem sempre reflete a informação atualizada. Por exemplo, é bastante útil a um animal lembrar-se de onde encontrara água, para poder repetir o ato de matar sua sede. Um dia porém, este conhecimento revelar-se-á desatualizado. Associar aquele local à satisfação de uma necessidade básica não mais corresponderá à realidade. A distância temporal, que só existe de fato para seres com alguma capacidade de retenção de informações na memória, parece ser a primeira instância de distanciamento entre realidade e verdade.

Se a realidade muda, mas essa mudança não é percebida, temos apenas uma série de realidades distintas percebidas cada qual em seus próprios termos. Mas quando a realidade muda e essa mudança é percebida, surge a possibilidade de comparação entre os termos de duas ou mais realidades distintas, e o que era válido em um momento, em outro não é mais.

Neste ponto, a não-adequação do pensamento à realidade apenas denota a capacidade de compreensão do fenômeno da mudança pelo indivíduo.

Mas outro aspecto começa a ganhar importância, à medida em que os indivíduos desenvolvem a capacidade de comunicar a experiência que conseguem reter da realidade a outros da sua espécie.

A verdade passa a não estar mais nas coisas, nos fatos, eventos e seres da realidade objetiva em si mesmos, mas sim numa correspondência estabelecida, por meio de um discurso ou pensamento, entre a subjetividade cognitiva do intelecto animal e aquele mundo real, posteriormente transmitida em processos intersubjetivos.

Há um primeiro aspecto, referente ao conhecimento, à interação entre a subjetividade cognitiva do intelecto e o mundo real, permeada por várias camadas ou interfaces que atuam como filtros, como lentes, como véus, matizando, distorcendo, escondendo, prejudicando ou até impossibilitando a reconciliação entre a verdade e a realidade na mente do observador.

Entre o mundo real e o pensamento alinham-se os sentidos, por meio dos quais a mente pensante é abastecida de informações sobre o mundo exterior.

Percebam que tenho evitado adjetivar os processos de observação, conhecimento e pensamento como humanos. É preciso destacar que essas capacidades não foram dadas a espécie humana do jeito que se apresentam agora, vieram sim evoluindo junto com a evolução biológica de todo conjunto de espécies. É racional, portanto, supor que cada ser vivo as detenha em algum grau.

A maior diferenciação entre a espécie humana e as demais evidencia-se nesse momento, ao depararmo-nos com a sofisticação da comunicação entre os indivíduos. O desenvolvimento da linguagem é infinitamente superior na espécie humana, ainda que nem assim exclusiva dela.

A elaboração do discurso sobre a realidade defronta-se com a própria limitação linguística. É necessário criar todo um vocabulário e uma sintaxe para traduzir o mundo real, captado pelos sentidos e processado pela razão, de modo a permitir a comunicação das impressões individuais. Uma série de impropriedades configura-se inevitável…

As imagens que vimos com nossos olhos imperfeitos, a partir ir de nossa posição com ângulo de visão restrito, tratamos agora de deitar a telas de dimensões e formatos restritos, com tintas improvisadas e talento nem sempre comprovado.

Afora esta situação já desfavorável, de início, outras irão surgindo inevitavelmente, expondo os limites de nossos sentidos, intelecto, razoabilidade… e a falta de limites de nossas intenções…

Como encarar o desafio de reconciliar discurso e pensamento à realidade?

Como reconhecer e entender as dificuldades neste caminho de volta?

Como entender o discurso quando ele se afasta da verdade?

Careca de não saber

O cara era até cabeludo, mas perdeu uma aposta e teve que raspar a cabeça, na gilete.

Impressionado com a popularidade súbita e dono de uma personalidade um tanto obsessiva, passou a raspar a cabeça todo dia.

Ao cabo de alguns anos, decidiu que era hora de deixar os cabelos crescerem novamente e parou de raspar a cabeça.

Não lhe cresceu um fio sequer. No decorrer daqueles anos, sem perceber, tivera um problema de “queda de cabelo” que o deixou definitivamente careca.

O Brasil já apresentava sinais de calvície, quer dizer desemprego, bem antes do advento da pandemia, mas cresceram a níveis que só não são descritos como alarmantes porque se justificam pelo alarme na área da saúde e porque julgam-se temporários

Durante a pandemia, porém, temos visto a iniciativa de várias agentes econômicos que tentam adaptar sua atividade com o uso de tecnologias pré-existentes ou aperfeiçoamento de processos, que diminuem ou eliminam a necessidade de alguns de seus colaboradores, dispensados neste período de isolamento social.

Por outro lado não tenho visto nenhuma iniciativa de grande porte, seja por parte da iniciativa privada seja capitaneada pelo setor público.

Em que pesem as dificuldades inerentes à crise do coronavírus, muita coisa poderia (deveria) estar sendo feita. Por exemplo:

  • criação e disseminação de conteúdo profissionalizante ministrável à distância
  • abertura de discussões com os representantes de cada setor da atividade econômica acerca das políticas públicas que estariam sendo gestadas, para ser implementadas assim que as condições sanitárias permitirem, de forma a alinhar o planejamento das ações e seu cronograma de implantação
  • reposicionamento da diplomacia comercial face à necessidade de proteção dos postos de trabalho e do mercado interno
  • elaboração, discussão e compartilhamento amplos de análises de cenários para os vários setores da economia
  • definição imediata de um pacote de grandes obras, que possam vir a ser atrativas para grandes investidores e competir pelo capital transnacional
  • coletar, avaliar, orientar e replicar iniciativas de enfrentamento pós-crise no seio da sociedade
  • dar destaque e visibilidade o que estiver sendo feito para garantir futuros postos de trabalho

As muitas e louváveis iniciativas provenientes da sociedade civil dirigem-se a mitigar os efeitos da queda do nível de emprego, pouco impacto tendo na geração de novos postos de trabalho.

As esferas do poder público parece não estarem coordenadas e o que quer que estejam fazendo não tem sido amplamente discutido e compartilhado com a sociedade. Pode estar havendo falha na comunicação institucional, bem como na cobertura da imprensa.

Se estamos achando que os postos de trabalho vão renascer após a pandemia, temos algo que aprender com o careca.

Entenda o que é livre-arbítrio

Livre-arbítrio

Desidério Murcho

Problema 1: Temos realmente livre-arbítrio, ou é só uma ilusão?
Problema 2: Quais são as componentes mais relevantes do livre-arbítrio, e que contributo dão para uma vida humana bem vivida?
Problema 3: O livre-arbítrio é compatível com a tese de que todos os acontecimentos são efeitos de causas anteriores?

Desidério Murcho

O que se visa aqui é aprender a tomar melhores decisões, baseadas em melhores deliberações, em vez de decidirmos as coisas mais ou menos aleatoriamente, segundo os impulsos do momento. Deparamo-nos quase a toda a hora com conflitos de valores — duas ou mais coisas que valorizamos, mas que são incompatíveis — e é sempre tentador fazer o que é mais imediato, mais fácil ou mais atraente. Depois paga-se o preço, porque isso que foi mais fácil há dez anos conduziu a uma vida que agora é pior, ou que resultou em doenças, ou que não conduziu à realização humana que agora lamentamos não ter.

Decisões melhores exigem deliberação melhor, e estes são dois dos três elementos importantes para o florescimento humano. O terceiro é o controlo, ou autodisciplina, que nos permite manter a decisão que tomámos, depois de uma deliberação cuidadosa. De nada adianta deliberar cuidadosamente sobre o que queremos para a nossa vida, se depois não conseguimos exercer o controlo necessário para levar por diante as decisões tomadas. Deliberação, decisão e controlo constituem, pois, uma tríade fundamental para compreender melhor aqueles aspectos do livre-arbítrio que têm um impacto profundo no florescimento humano.
Mensagens trocadas

Ética de pandemias: ser pago para não trabalhar

Muitas das noções associadas ao comportamento ético ou virtuoso tem origem na forma como os indivíduos encaram e desempenham as atividades necessárias à sobrevivência.

Isto é fácil de entender se compreendermos que a sobrevivência do indivíduo é obtida pari passu com a sobrevivência do grupo de que faz parte.

É considerado virtuoso aquele cujas atitudes contribuem para o bem-estar coletivo, em última análise, aquele capaz de sacrificar parte de seus esforços, e do resultado obtido a partir destes esforços, pela sobrevivência de outros da espécie.

Tais atitudes são rotuladas de altruístas, ao passo que são consideradas egoístas aquelas em que o indivíduo ignora a necessidade de seus semelhantes, tratando apenas das suas próprias ou, no máximo, das do seu grupo familiar restrito.

Esse padrão ocorre em todas as espécies vivas, como parte central do mecanismo da evolução. O sucesso evolutivo reflete, entre outros fatores, a harmonia conseguida entre as atitudes que visam a sobrevivência do indivíduo e as que favorecem a sobrevivência do grupo.

Nos seres humanos, isso era mais visível quando mais primitivos, quando a maior parte das atividades restringia-se à luta para manter-se vivo e sequer havia o conceito de trabalho.

Os seres humanos primitivos obtinham o necessário à sobrevivência diretamente do mundo natural, numa imagem que, não fora a escassez, em muito assemelhar-se-ia à descrição do Jardim do Éden da tradição bíblica.

Neste contexto, abrir mão de parte dos recursos obtidos, compartilhando-os com os semelhantes, bem como participar ativa e comprometidamente das atividades coletivas levadas a cabo para obtê-los, são os comportamentos sociais a partir dos quais se forjaram conceitos como moral, ética e virtude.

Em algum momento, surge o conceito de trabalho, aplicado a uma parcela das atividades humanas. Por motivo de concisão, não divagarei sobre isso neste momento.*

Apenas vislumbremos a evolução da espécie humana como a diversificação de suas atividades. Embora cada vez menos imediatamente identificáveis com a busca pura e simples de recursos para a sobrevivência, a maioria das atividades humanas visa sim, em última instância, garantí-la.

E o fato é que na atual conjuntura, várias áreas da atividade humana estão sofrendo restrições impostas no interesse do bem da coletividade.

Expressas em leis, emanadas do poder público em plena vigência do Estado democrático de direito, estas restrições atingem liberdades individuais, entre as quais o direito ao livre exercício profissional e impactam desigualmente as atividades, com base na sua essencialidade e nos níveis de risco potencial de contaminação delas decorrentes.

Parece justo que a coletividade, que se busca proteger com tais medidas, se organize para garantir alguma renda e, consequentemente, a sobrevivência das pessoas cujas atividades estão sendo proibidas.

Para encerrar por ora, importante salientar que nem toda medida deve ser de iniciativa dos entes governamentais e que, mesmo quando assim seja, não se trata de benesse distribuída por critério da autoridade, mas sim de expressão da solidariedade social, insculpida no ordenamento jurídico, que não apenas autoriza, mas determina a atuação estatal.


  • Alguma reflexão acerca do conceito de trabalho me ocorreu e pretendo desenvolvê-la: tipos de trabalho, essencialidade, valoração e valorização. Possivelmente trará cores para o assunto deste post.

X é culpado pela 100 mil mortes pelo coronavírus no Brasil?

A resposta para essa pergunta é NÃO, para qualquer valor de X.

Nem o próprio coronavírus pode ser acusado com toda certeza de ter causado todas as mortes a ele atribuídas, que dirá uma pessoa qualquer.

Pergunta de má-fé, visa apenas obter a resposta pronta de quem é contra ou a favor X, não acrescenta informação nenhuma apenas exacerba a polarização em torno de X.

Trata-se de pesquisa do Datafolha, veiculada há pouco pela Folha de SPaulo, mas nem vale a pena colocar o link aqui.

O sarrafo e a natureza humana

Em algum momento no futuro, ao abordar o tema controverso da natureza humana, vou apoiar-me na ideia de que a diferença entre a espécie humana e as demais é a capacidade de transformar os recursos que encontra na natureza.

Uma que outra espécie desenvolveram habilidades neste sentido. Pássaros constroem ninhos com uma diversidade de materiais, abelhas fazem bonito, produzem a cera com que constroem a colmeia. Castores constrem diques com troncos de árvore que serram com os dentes para essa finalidade, pinguins constroem iglus com gelo.

No entanto, é bastante limitada a capacidade de qualquer espécie, exceto a humana. Geralmente limita-se a um só talento, restrito a melhorar sua alimentação ou a abrigar-se, mas fundamental ao seu sucesso evolutivo, ou seja, à sua sobrevivência enquanto espécie.

Os ancestrais da raça humana, por sua vez, ao criarem os primeiros artefatos, desencadearam um processo em que a evolução tecnológica retroalimentou a evolução biológica e foi por ela retroalimentada, acelerando sobremaneira o conjunto.

Pois bem, alguns dos primeiros artefatos foram, com certeza, pedaços de galhos, de troncos ou raízes de árvores, materiais lenhosos, gravetos, pedaços de pau… Podemos dizer sem medo que o sarrafo esteve conosco durante toda a evolução da espécie, tendo sido essencial para chegarmos onde estamos.

Em homenagem pois, e em reconhecimento à sua importância e à sua onipresença na história da humanidade, à sua confiabilidade e insuperável poder transformador, mesmo em era de tecnologias digitais sofisticadas, vou lançar mão dessa peça de apelo nostálgico neste blog.

Em breve, na seção BAIXANDO O SARRAFO, vou render-me à tentação de opinar contra as impropriedades mais absurdas que tomar conhecimento.

Baixarei o sarrafo à esquerda e à direita, indistintamente, procurando ater-me a casos sintomáticos, de comportamentos recorrentes, de comprovada má-fé ou prática política deplorável.

Pinguins constroem iglus com blocos de gelo? Você não deixou passar batido essa, né??

The time you ran was too insane

Sozinho novamente, naturalmente

Nós todos já vimos isso antes

Agir naturalmente é tudo que eu preciso fazer

Embora eu esteja extremamente infeliz, você me verá sorrir

Por haver dormido tantas vezes apenas com minha solidão

Eu poderia caminhar um milhão de milhas sem ninguém ao meu lado

Eu amo minha jaqueta de couro sob uma solidão de neon

Por que o amor tem que ser tão triste?

Tudo o que eu quis, tive que deixar distante

A face de ontem não é a que eu escolhi ver

Seu silêncio é ensurdecedor

Se você atendesse esse telefone…

Eu fiz todo o meu melhor para sorrir

Mas é necessário mais do que isso para dar sentido ao dia

Sempre que me acontece sentir-me desse jeito

Divagando em voz alta se os anos nos tratarão bem

Só me sinto feliz quando chove

Hoje à noite, enrolado no meu cobertor de nuvens, sonho em voz alta

Anos atrás, meu coração estava preparado para viver

Bem ali você parada, à beira de sua plumagem, na esperança de voar

Começou tão bem, diziam fazermos um par perfeito

Era mais como um sonho do que realidade

Em meus sonhos, morro o tempo inteiro

Eu estava sonhando enquanto eu dirigia pela longa estrada afora

Foi um milagre que eu sequer tenha escapado com vida

E não importa onde eu vá, eu sempre verei seu rosto

As luzes de neon passam em clarões

Eu devia estar cego